quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Uma história da Máfia para sair da inadimplência.



Quando adolescente li muitos livros relacionados a máfia como: Dossiê Pelicano, A firma, O Juri mas nenhum superou o livro "O Poderoso Chefão", esqueça o filme, mergulhe no livro!

Em um dado momento as famílias rivais sub-julgam dom Corleone, acuado ele abaixa a cabeça a todas as famílias e se submete à todos os absurdos impostos, uma estratégia para se recuperar e depois pegar um por um, pois até o Dom sabia que enfrentar todos de uma vez seria uma estupidez.


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Em um post https://analistaconfesso.blogspot.com/2019/08/3-itens-antes-de-emprestar-dinheiro.html escrevi sobre as lista de regras que sigo pra emprestar dinheiro para amigos, caso não tenha lido vale a pena para entender a continuidade do que ocorreu quando chegou a data do meu amigo me devolver o valor emprestado. 

Aqui faço uma pausa, fui criado na periferia paulistana, local muito humilde e até hoje acompanho os indicadores do meu ex-bairro, infelizmente até os dias de hoje possui grande fragilidade sócio econômica, meu amigo veio de um lugar semelhante, nos conhecemos na faculdade e naquele tempo nossa vida era bem limitada financeiramente, com o passar do tempo tive oportunidade de ter uma profissão no crédito e meu amigo foi para área de TI onde ganhava relativamente bem, mas se descontrolou (é comum pessoas que ganham bem se descontrolarem e quando percebem estão encrencados com crédito).

Na data que meu amigo deveria honrar seu compromisso ele me liga e diz: “Cara, estou enrolado e não poderei lhe pagar como combinado! e pior, você pode me emprestar mais um dinheiro?”.

Como crédito eu sei que esse é o comportamento que leva ao duro caminho da cobrança, tinha 3 opções: 

a) emprestava mais dinheiro ao meu amigo, 
b) negaria mais empréstimo,
c) usaria meu conhecimento de crédito para ajudá-lo, 

Optei pela terceira opção.


Ele me resumiu algo que acontece quando algumas pessoas tem uma alta renda: O fato de ganharem bem, você recebe muitas linhas e ofertas de crédito, embarca nas ofertas e consome mais do que ganha, para tapar o buraco contrai mais crédito, quando chega ao limite com uma instituição recorre a outra …bem o resto vocês imaginam (lembra muito o que a Argentina tem feito nos últimos anos).

Até você quebrar pode levar 2…3 anos, leva tempo para descobrir que está completamente enrolado com 2 a 3 instituições, então vem as dores de cabeça, pois tenta renegociar com todas, fica com uma margem perto do zero para sanar urgências e emergências, garanto elas aparecem nos piores momento financeiros, em casos de demissão o problemas seria muito pior.

Perguntei se eu poderia ajuda-lo e ele me disse: POR FAVOR! 

Meu amigo estava enrolado com 5 instituições e devia equivalente a 8x sua renda, havia acordos com todos os credores. Foi então que fiz seguinte estratégia de tirar meu amigo da lama, algo que levaria 18 meses pra funcionar. Usei o estragema inspirado no Don Corleone, se recuperar e depois pegar um por um.

  1. Abri uma conta poupança onde apenas eu teria acesso e todos os meses ele depositaria 50% do salário e sobreviveria com os outros 50%.
  2. Obriguei-o a jogar fora todos os cartões de crédito, sobreviveria apenas com dinheiro, ou usaria cartão de débito (que aliás estava no cheque especial).
  3. Quebramos o acordo com todos os credores e partimos para o calote geral (seu nome foi para os bureaus de proteção ao crédito em menos 1 mês), aqui é importante ter uma armadura psicológica pro que viria.  

Se você trabalha em alguma área cobrança deve estar querendo me matar por escrever isso, e o que virá em seguida.

Para tirar meu amigo dessa enrascada ele deveria fazer exatamente o que combinamos ou eu o deixaria para os tubarões, fazer dessa forma é necessário muita confiança. 


Primeiro passo

Ao abrir a conta poupança garantiria que teríamos valor para melhores acordos no futuro (não pelo rendimento, mas por colocar em um local seguro), quando uma pessoa está altamente endividada e presa a acordos, praticamente não sobra dinheiro, tudo está comprometido com os altos juros, quando surge alguma urgência ou emergência, não tem dinheiro para sanar. Não tem milagre, se desviar dinheiro para sanar a emergência haverá a quebra de acordo com a cobrança gerando mais dor de cabeça. Por isso criar uma área de reserva de dinheiro era necessária.

Foi uma forma de frear o “gastar mais do que arrecada”, esse processo foi na base do choque.

Segundo passo

Jogar fora os cartões evitaria o problema de quitar parte do saldo, liberando limite do cartão para mais consumo, quando a situação é crítica o consumo deve ser freado imediatamente, quando não se pode controlar tenha a coragem de jogar tudo no lixo, assim não terá como gastar 

Terceiro passo

E por último e o mais difícil era simplesmente parar de pagar as dívidas, afinal colocando 50% na minha mão e sobrevivendo com os outros 50% não tinha dinheiro para pagar nenhum dos acordos atrasados, e nesse ponto eu preparei meu amigo para o que viria.

Fase 1 => Cobrança amigável, quando você atrasa sua dívida o processo de cobrança de curto prazo entra em ação, recebe sms, cartas, e-mails e ligações, para questionar se você esqueceu, se irá pagar e quando?. 

Aqui meu amigo deveria dizer a seguinte frase: “Não posso pagar, estou com problemas financeiros! Não poderei pagar a dívida e também não tenho uma data de quando poderei fazer-lo.” Instrui meu amigo a manter essa postura e por mais que o time de cobrança pressionasse ou propusesse algum acordo a ordem era negar.

Todo processo de cobrança é um relógio, contabilmente segue-se um ciclo de faixas de atraso até 360 dias, após esse período o valor a receber é considerado, pelas regras contábeis, prejuízo. A missão das áreas de cobrança é evitar esse prejuízo por inadimplência, precisam frear o cliente para que não entre nas faixas maiores o que dificulta a recuperação da dívida.

Fase 2 => Cobrança contenciosa, quando o time de cobrança percebe que será jogo duro então a estratégia é usar palavras duras e firmes com o cliente, tenho amigos na cobrança que já fizerem clientes chorar, é sério!. 

Os discursos são secos, como: Sr o seu nome irá para o SERASA/SPC, será protestado, vamos abrir uma ação na justiça, sua família será amaldiçoada, eu preciso que o sr me dê uma data para o pagamento. Depende pra quem você está devendo rola até ameaças contra sua integridade enfim, não é uma cobrança “amigável”, nesse ponto orientei meu amigo a engolir o choro e manter firme a resposta que não iria pagar e ponto final.

Aqui lembre-se que a área de cobrança tem metas pesadas e quem trabalha nessa área tem muita pressão para recuperar o valor devido.

Fase 3 => só faríamos novos acordos após 180 dias de atraso (certeza que meus amigos da cobrança, vão me xingar), acontece o seguinte, atrasos superiores a 180 dias derrubam a probabilidade de recuperação, ninguém na cobrança quer isso, se o atraso ultrapassar essa faixa o valor de PDD será de 100% (em outro post abordarei PDD ok?).

Na grande maioria das empresas, quando o valor ultrapassa 180 dias de atraso muita coisa aconteceu.

=> houve custo com SMS, ligações e mais ligações, cartas, negativação do CPF tudo isso gera um baita custo. 
=> se for cartão de crédito está bloqueado e provavelmente naquela instituição dificilmente terá outro, mas e dai? Você já jogou fora mesmo.
=> você terá sido bombardeado com dezenas de ligações e a cobrança ja te ameaçou de todas a formas.

Com isso, tudo o que resta ao credor é fazer um acordo concedendo um belo desconto se pagar à vista, foi justamente o que fizemos. Lembra da reserva de poupança? Pois então, após 180 dias ligávamos e fazíamos um proposta de algo entre 30 e 50% da dívida para pagamento à vista, quem não aceitava desligávamos e íamos para o próximo e assim resolvemos tudo em 20 meses.

Meu amigo aprendeu a lição, melhorou seu fluxo de caixa, pagou todas as suas dívidas, talvez esteja proibido até hoje de ser cliente em algumas instituições, ajudei meu amigo e principalmente pude recuperar meu dinheiro sem perder a amizade.

Obs: Não é pra sair dando calote geral, não estou motivando ninguém a fazer isso. Usei o que podia para resolver a situação, cada caso é um caso, estou compartilhando como EU ajudei a resolver um caso complexo. Utilizando a inspiração do Don.




segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Crédito pra empresas, entenda o que passa o empresário.



Conceder crédito para empresas é uma arte dominada por poucos, conhecer a dor do empresário é importante não apenas para conceder crédito, e sim contribuir com o desenvolvimento econômico através do fomento de geração de empregos.




O texto abaixo é de Paulo Tenório CEO da Traktor que faço questão de compartilhar.

"Eu indico a todos abrirem uma empresa um dia e experimentar por alguns anos o que é a responsabilidade de enfrentar uma folha de pagamento, a regularização de impostos, o processo de seleção do time, o investimento em equipamentos, estrutura e conforto para o trabalho. 

Indico a todos que aprendam a calcular o valor hora de um trabalho e o valor de um salário. Indico que invistam incontáveis horas com contadores. Que fiquem noites sem dormir preocupados com as contas. Que experimentem formar pessoas, inspirar o melhor em cada um, motivar com palavras, com respeito, honestidade e dinheiro. 

Invista em marketing, vista a camisa e saia pelas ruas e redes sociais para atrair clientes. Experimente também segurar a onda quando os haters e as críticas chegarem. Quando duvidarem de você e quando você mesmo duvidar.

Recomendo ficar no cheque especial para não atrasar um dia a folha. Experimente também olhar no olho de um funcionário e demiti-lo. Chegar em casa detonado por cada plano, ideia, estratégia que não deu certo. Mas mesmo assim continuar firme e animado tentando.

Faça esse teste. Vai se ver acordando as 3 da manhã sem razão e com o pensamento num produto, numa conversa de escritório ou num plano para evitar a falência.

Faça esse favor a você mesmo, tente ser o patrão por alguns anos. Ser visto como explorador. Faça esse teste. Mas faça por acreditar que seu negócio vai muito além de dinheiro. E quando você cansar, falir, ou tiver sucesso... lembre-se de tudo que você passou.

Guarde isso na alma. Você um dia vai precisar, quando a maré virar e transformar a vaidade em humildade, o ego em me desculpe, a marra em companheirismo, a malandragem em dedicação, a inveja em desejo de sucesso e as certezas em dúvidas.

Faça esse experimento um dia. Abra uma empresa."

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A política de Crédito em São Paulo, provoca suicídio no Paraná?

Elegemos setembro como o mês amarelo, para lembrar a importância que pessoas com sintomas de depressão devem buscar auxílio para reverter o quadro, que pode se agravar trazendo para si sérias complicações incluindo atos catastróficos.

Isso me lembra um fato que minha mente se esforça para lembrar todos os dias em que exerço minha profissão.

Em1917 nascia nos EUA um homem chamado Edward Norton Lorenz, um jovem que amava matemática e com o tempo encontrou outra grande paixão, os estudos climáticos. Nos anos 40 foi enviado a segunda grande guerra onde fazia estudos da influência do clima no comportamento do 


M.I.T



exército, ao retornar continuou a exercer profissionalmente as duas coisas que tanto fascinara, matemática e estudos climáticos.

Certa vez em um laboratório sem querer digitou casas decimais incorretas e obteve um resultado de cálculo, ao perceber seu erro corrigiu as casas decimais e para surpresa o resultado foi completamente diferente, isso o impressionou tanto que refez os cálculos várias vezes alterando discretamente as casas decimais e os resultados se apresentavam completamente divergentes, ainda que com discretas alterações.

Esse fato o levou a elaborar uma teoria de mestrado, quando a apresentou em 1963 as pessoas cagaram, não entendiam o que ele queria transmitir. Foi então que percebeu que se alterasse discretamente sua teoria poderia obter um resultado completamente diferente, assim como acontecera no laboratório.

Somente 9 anos depois Lorenz teve uma nova oportunidade de apresentar sua teoria, alterou apenas o título, pendurou em letras garrafais na entrada da sala onde acontecia o 139° congresso para o progresso da ciência. 

Dessa vez quando terminou de falar foi ovacionado, ganhou prêmios importantes e fama mundial, também recebeu o título de Pai da teoria do caos, sabe qual foi o título da tese do Lorenz?

"O bater das asas de uma borboleta no Brasil, provoca um tornado no Texas?"

Em resumo Lorenz apontava que atos simples e inofensivos desencadeiam uma série de fatores aleatórios que ao final encontram um padrão, causando efeitos catastróficos. Lorenz entregou ao mundo um jargão mundialmente conhecido como "O efeito borboleta", tive oportunidade de assistir 2 filmes que retratam bem isso: "O efeito borboleta", e "A fantástica história de Benjamin Button".

O que tudo isso tem haver com a política de crédito e suicídio?

Nos anos 90 um jovem analista de crédito foi chamado por seu superior, "O presidente do Banco está te chamando, ele deseja falar com você.

O jovem ficou assustado, por que o Presidente do Banco desejaria falar com um simples analista de crédito? Ao chegar na frente do presidente o mesmo se dirigiu ao gestor e perguntou:

- Você analisou o caso? 
- Sim, respondeu o gestor. Ele cumpriu todo o procedimento do banco não houve falha na análise.

O analista sem entender pergunta: O que houve?

Nesse momento o presidente respira profundamente, desdobra uma folha e diz: Recebemos a carta da filha de um cliente.

"Estou profundamente desapontada com a política do banco, meu pai foi cliente dessa instituição e por anos teve excelente relacionamento, empregou pessoas e ajudou muita gente. Por consequências das políticas do governo os negócios não estavam bem e meu pai tentou de várias formas manter empregada as pessoas que sempre se dedicaram ao seu propósito.

Quando meu pai mais precisou de crédito para dar fôlego aos tempos difíceis, todos os anos de relacionamento foram desconsiderados e teve seus pedidos negados por motivo da política de crédito, sua política ao menos ponderou todos os anos em que meu pais esteve com vocês, foi julgado pelo último ano de relacionamento?

Agora não faz mais diferença, as diversas dificuldades levaram meu pai ao ato mais atroz, deu cabo da própria vida... "


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A carta continuava e ao término o jovem analista estava destruído, ao cumprir seu dever a borboleta bateu asas desencadeou uma série de fatores aleatórios que ao final... 

O presidente do banco disse alguma coisa, mas o analista só ouvia sua própria mente: será que se tivesse concedido crédito o desfecho teria sido diferente? Será que sua decisão contribuiu para o caos? 

Ele nunca saberá! 

Eu poderia colocar o link de diversas fontes, onde em tempos financeiros difíceis pessoas sãs sucumbiram a situações depressivas com quadros agravados que levaram ao... achei melhor não!

Confisco da poupança, queda da BOERJ, bandas cambiais, contratos em moeda estrangeira, diversos fatos financeiros que levaram pessoas ao estado mais perigoso do caos em suas próprias mentes. 

Na internet com tanta fake news não desejo que acredite nesse relato, peço apenas que reflita como desenha suas políticas de crédito e como suas decisões estão ligadas com consequências inimagináveis para o bem e para o mal.





sábado, 31 de agosto de 2019

3 itens antes de emprestar dinheiro a amigos.


Pode não acreditar analistas de crédito tem os mesmos problemas e dilemas que todo mundo, temos amigos e nem todos os nossos amigos tem dinheiro, em determinadas situações você dependerá dos seus amigos financeiramente e vice versa, compartilho uma situação relativo a crédito para um amigo.

Certa vez um grande amigo me ligou e disse que precisava de uma grana emprestada, não me lembro ao certo o valor, era algo como R$ 3000,00 já trabalhava no crédito há alguns anos, segui minha lista de 3 itens para se emprestar dinheiro a um amigo, e prontamente emprestei, o mesmo me disse que devolveria a importância em 60 dias.

Bem o que aconteceu depois vai render um outro post, que compartilharei no futuro. Vale lembrar que boa parte das pessoas que estão endividadas é por terem realizado empréstimos em seu nome para amigos e parentes, por isso compartilho abaixo a minha lista de itens para emprestar dinheiro a um amigo.



  1. Não se cobra juros de amigo, ajudamos amigos sem esperar nada em troca.
  2. Só empreste aquilo que realmente não necessitar, se a devolução for dependência para honrar algum compromisso, não empreste!.
  3. Nunca espere receber de volta, se você não puder suportar nunca mais receber seu dinheiro, fuja do empréstimos para seu amigo.

Se VOCÊ é capaz de seguir sem exceções esses 3 itens estará pronto e blindado a emprestar dinheiro para um amigo, sem se estressar, ou perder algo mais precioso a AMIZADE.

E para complementar observe:

  • Nunca assine um cheque em branco para ninguém (mesmo parentes).
  • Não empreste seu nome para financiamentos (namorado, amigos, parentes) é uma forma de preservar amizade e família.
  • Não empreste seu cartão para ninguém, melhor emprestar dinheiro (seguindo as regras acima). Afinal você é um analista de crédito então haja como um.
  • Só seja fiador de alguém se puder suportar os 3 itens acima. Falar não é um jeito duro de manter a amizade e se a pessoa para de falar com você por conta disso, me agradeça.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Nome sujo na praça, Cadastro Negativo... O quê é isso?

Quando criança ouvia esse negócio de ter o nome sujo na praça, nunca soube o que significava, apenas sabia que não queria ter o nome sujo na praça, na praia em lugar algum, só na vida profissional descobri que ter o nome sujo significava estar no cadastro negativo.

Não ajudou muito pois eu também não tinha a menor ideia do que era um cadastro negativo. O mais interessante é que eu trabalhei com muita gente que já tinha bons anos de crédito, pasme você, muitos acham que sabem e outro não sabem na totalidade o que fazem um bureau de crédito.

Então mãos a obra de compartilhar o que demorei anos para descobrir e sinceramente não ouso a dizer que sei tudo. Antes de falar no que é ter o nome sujo vamos entender o papel de um Bureau de Crédito.



Muita gente conhece os Birôs ou Bureaus de Crédito, digo isso pois já vi escrito nas duas formas, a palavra é do idioma francês que significa lugar onde se realiza trabalho intelectual, mesa ou gabinete. Técnicamente e na atualidade um bureau de crédito concentra informações relacionadas ao comportamento de consumo, que pode ser através de crédito (com pagamento a prazo) ou a atividade de relacionamento de consumo.

Os mais populares bureaus do Brasil são SPC e Serasa foram criados em décadas separadas para funções distintas, o primeiro tinha o objetivo de concentrar as informações do Comércio com isso o comercio poderia se proteger que clientes elevassem possíveis prejuízos no comercio. O segundo foi criado por intermédio da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) com objetivo de padronizar os cadastro entre os bancos criando agilidades, posteriormente adotou comportamento de proteção ao crédito semelhante ao SPC.

Com isso um cliente que realiza compras a prazo, ou contraia crédito através de qualquer produto bancário e por algum motivo não cumpra o pagamento com pontualidade pode ser cadastrado em um desses Bureaus, com o registro que está negativo com algum componente que pode ser comercial ou bancário.

Um individuo que consta nesse cadastro negativo dos bureaus popularmente é conhecido como: "nome sujo na praça", esse individuo pode ser pessoa física ou empresa, por muitos tempo esse foi o principal papel desempenhado pelos Bureaus, e sua fama de apenas lidar com pessoas com "nome sujo" os estigmatiza até os dias de hoje. Há quem acredite que são empresas públicas de tanto que se ouve falar em SPC/Serasa, majoritariamente conhecidos como cadastro negativo isso até virou uma samba (SPC - Zeca Pagodinho).

Atualmente não sei dizer quantos Bureaus estão ativos, eu conheço pelo menos 6, e deve haver mais que não são do meu conhecimento, com o passar dos anos engana-se quem acredita que são apenas cadastros negativos, com o passar do tempo concentraram tanta informação relativa a cadastro e comportamento de consumo que desenvolveram uma porção de estudos e serviços que são disponibilizados para pessoas físicas e jurídicas.

O que significa ter o nome sujo cadastrado negativamente?

O comercio ou instituição financeira consulta essas informações caso o cliente que deseja comprar a prazo esteja nessa lista tem seu pedido de compra a prazo ou crédito financeiro negado, impedindo compra a prazo, financiamento, solicitação de produtos de crédito como cartão, ou um crédito pessoal.

Algumas pessoas não se importam com isso e "sujam" seu nome sem problema, para outras pessoas o nome é uma questão de honra e fazem de tudo para mante-lo "limpo", penalmente no Brasil a única dívida que de fato lhe leva para punição carcerária são dívidas de pensão alimentícia.

Algumas dívidas podem lhe trazer punições através de acionamento jurídico, como dívidas de condomínio, ou outras dívidas que cheguem ao ponto de serem recorridas em tribunal como é o caso a Alienação Fiduciária, há outras em que por determinação da justiça devem ser honradas a ponto do juiz levar a leilão bens pessoais, ou bloqueio financeiro com objetivo de reparar a parte credora, é claro que isso é tema para outro post.

Há outros pontos que o mercado pode adotar como não contratar pessoas ou serviços de pessoas e empresas que estejam no cadastro negativo, se isso é legal ou não deixo para os entendidos, apenas compartilho o que ocorre no mercado.


Com avanço tecnológico como ficam os bureaus?

Algumas vezes gosto de brincar de superprevisor, para que uma empresa consulte o cadastro negativo existe um custo e não é barato, cada vez que uma empresa necessita vender a prazo ou conceder crédito há um custo da operação e essa consulta encarece o processo, por isso empresas sempre negociam com seus bureaus a melhor tarifa pois essa conta pesa no custo da decisão.

Com a chegada de um modelo de negócio como o UBER, vimos a "uberização" de muitos serviços e processos, algo que pode também ocorrer com os Bureaus, é um negócio com mais de meio século que pode ser alterado por um grupo de jovens em qualquer startup, vale repensar o modelo para não se tranformar em uma Kodak.

Arrisco a dizer que ha espaço de invertermos, invés dos analistas consultarem os score de crédito do cliente ou seus registros no cadastro negativo, podemos solicitar ao cliente que nos traga, reduzindo o custo da operação, a pergunta que ficará é: quem é o cliente que mente num grupo de clientes que dizem a verdade? Pauta para um outro post.

Abraços. 



 

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Black List no Crédito


Não sei dizer se o nome é politicamente correto nos dias atuais, mas é assim que nos referimos a base de clientes indesejados.

Há algumas razões para não se desejar um proponente como cliente.




Restrição Interna de Crédito.


Clientes que apresentaram inadimplência até o ponto de serem classificados como prejuízo, também conhecido como default (jargão comum no crédito para dizer que um indivíduo passou por todas as faixas de atraso até ser considerado perda).

Default=> Cada empresa instaura um conceito, por isso falarei de períodos de exemplo, é considerado normal alguns clientes pagarem suas dívidas em atraso, geralmente atraso até 5 dias (considerado de baixo risco) esse curto atraso pode ser causado por esquecimento ou rápido descontrole, atrasos acima desse período acendem um sinal de alerta e na maioria dos casos se suporta até 30 dias de atraso, dependendo do conceito são considerados default atrasos superiores a 30, 60, 90, 120, 180 ou 360 dias depende do apetite de risco de cada negócio. Contabilmente consideramos perdas atrasos superiores a 360 dias.

Se for uma empresa conservadora um cliente que entra em default pode ter seu relacionamento cortado a ponto de ser incluso na Black List para que NUNCA mais (naquela empresa) tenha o direito a uma nova linha de crédito, mesmo que tenha quitado sua dívida.

Por esse motivo alguns clientes mesmo sem restrição de crédito nos bureaus de proteção ao crédito, podem ter sua solicitação recusada ainda que tenha um excelente score de crédito.

Clientes que constamente entram em inadimplência e apresentam atritos com as áreas internas também podem ser inclusos na lista indesejada.

Risco de Compliance (conformidade).

A área de crédito também pode restringir clientes cujo comportamento esteja fora de padrões éticos no uso indevido do crédito, exemplo: usar o crédito para fomentar trabalho escravo, negativo impacto sócio ambiental ou que coloque em risco a imagem como conceder crédito à figuras conhecidas por envolvimentos ilícitos.

Reportar dados ao COAF não necessariamente significa incluir um indivíduo na lista de indesejados.

Risco de Fraude

Clientes que cometeram auto fraude, ou dados de fraudadores conhecidos podem figurar na Black List.

Risco Jurídico

Clientes apontados pela área jurídica como risco as instituições podem também figurar entre os indesejados. Inclusive ex funcionários que tenham acionado judicialmente a instituição por qualquer razão (não coloco em discussão se isso é correto ou legal e sim compartilho o que ocorre nos bastidores do crédito).

Algumas instituições barram crédito também a ex presidiários (não importa o score de crédito).

A função da "Black List" do Crédito é evitar que casos com alta probabilidade, ainda que empírica, coloquem a instituição em risco inaceitável de crédito. Algumas áreas como prevenção à fraudes / jurídica podem utilizar o mesmo mecanismo para mitigar risco.

Com o passar do tempo a lista vem ganhando outros nomes, como lista negativa, lista de restritivos internos etc... geralmente essa lista é um dos parâmetros de aceitação de um cliente ou concessão de crédito para o mesmo.

É recomendável que cada registro colocado em uma Black List tenha uma justificativa para evitar seu uso indiscriminado e sem controle, há listas que são dinâmicas onde cada registro figura um tempo de validade para que haja manutenção constante.

Construir uma lista de restritivos internos auxiliam a evitar que situações indesejadas se repitam, ou consultam listas restritivas compartilhadas para melhor controle a exposição de risco, é de praxe não citar o motivo da negação ao proponente evitando atritos maiores.





segunda-feira, 5 de agosto de 2019

E se NÃO usássemos bens como garantia na concessão de crédito?



Já fiz previsões utópicas para o mercado de crédito no passado, hoje são realidade, de tempos há uma nova visão de futuro que muitas vezes guardamos pra si e se transformam em realidade, há um livro que fala sobre isso: "Superprevisões: A arte e a ciência de antecipar o futuro" antes de falar de previsões quero colocá-lo na mesma página sobre 2 tipos de produtos de crédito. 

Crédito SEM garantia 

É o dinheiro que você pega emprestado e não oferta nenhuma garantia real que irá devolver exemplo: Cartão de Crédito, Cheque Especial, Empréstimo pessoal, são créditos que não há uma garantia de pagamento por isso a inadimplência desses produtos é alta e seus juros são obscenos.

Crédito COM garantia

Nesse tipo de produto há uma garantia que permite ao analista de crédito entender que há maior possibilidade de pagamento ou uso da garantia para cobrir eventuais inadimplências. 

Exemplo: Consignado, Crédito com Garantia Imobiliária ou automobilístico, garantia de máquinas, terrenos, recebíveis futuros, ou aplicações. Em resumo você demonstra ou entrega uma garantia de valor que sustenta a quitação em caso de inadimplência.

Veja que todas as garantias são bens tangíveis, como analista crédito entendo que além de bens há serviços que podem ser usados como garantia de quitação de débitos, se é pra pensar fora da caixa mãos a obra.

Você lembra aquela velha forma de quando não tem dinheiro pra pagar o consumo do restaurante se oferecer pra lavar pratos? Pois bem, e se a concessão de crédito pudesse se inspirar no mesmo onde a garantia seria contraprestação de serviços para honrar eventuais inadimplências?.






O cliente que ficar inadimplente pode prestar serviços para honrar seus compromissos em contra partida. Atualmente as empresas de concessão tem a necessidade de serviços e pagam por eles como: limpeza, manutenção, serviços gerais, entrega, atendimento, pesquisa e muitas outras frentes que custam a elas grande valor monetário, não só a empresa que concede crédito mas seus demais clientes.

Calma vamos digerir esse processo melhor, para viabilizar tal cenário seria necessário um passo antes, a empresa deverá apostar em uma plataforma que una profissionais em várias áreas de conhecimento, uma plataforma que permita aos clientes de quem concede crédito a prestarem serviços entre si (sapateiro, pedreiro, eletricista, confeiteiro etc...).

Algo que auxilia na geração de valores para que a própria fonte de empréstimo receba seu montante de volta, o processo consiste em ter uma garantia baseado na habilidade do inadimplente prestar serviços de qualidade a ponto de ser contratado na plataforma por outros prestadores, todo processo de pagamentos e recebimentos será gerenciado pela instituição que concedeu o crédito, assim quando contratado o mesmo deverá prestar serviços ao contratante e do valor a receber poderá ser abatida parte da dívida.

Exemplo: Prestador de serviços A (costureira), está cadastrada na plataforma e presta serviços através dela. Avaliado o comportamento de prestação de serviços a instituição pode conceder crédito ao cliente A pois entende que o mesmo poderá pagar devido ao ritmo dos serviços que presta.

Caso o cliente A venha a inadimplir o empréstimo, na próxima prestação de serviço de serviço poderá ter sua dívida abatida, pois o cliente A poderá prestar serviços para o cliente B (metalúrgico) e quando o cliente B pagar através da plataforma a instituição financeira poderá recolher parte desse pagamento para reduzir a inadimplência do cliente A.

Esse tipo de garantia permite a clientes encontrarem crédito a taxas mais competitivas pois há como o analista avaliar sua capacidade de gerar receita através de sua prestação de serviços.

Vale lembrar que essa é uma das muitas formas de usar serviços como garantia, iniciativas que permitem a ampliar a forma como avaliamos a concessão permitindo atendimento a clientes desassistidos de crédito.