quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A política de Crédito em São Paulo, provoca suicídio no Paraná?

Elegemos setembro como o mês amarelo, para lembrar a importância que pessoas com sintomas de depressão devem buscar auxílio para reverter o quadro, que pode se agravar trazendo para si sérias complicações incluindo atos catastróficos.

Isso me lembra um fato que minha mente se esforça para lembrar todos os dias em que exerço minha profissão.

Em1917 nascia nos EUA um homem chamado Edward Norton Lorenz, um jovem que amava matemática e com o tempo encontrou outra grande paixão, os estudos climáticos. Nos anos 40 foi enviado a segunda grande guerra onde fazia estudos da influência do clima no comportamento do 


M.I.T



exército, ao retornar continuou a exercer profissionalmente as duas coisas que tanto fascinara, matemática e estudos climáticos.

Certa vez em um laboratório sem querer digitou casas decimais incorretas e obteve um resultado de cálculo, ao perceber seu erro corrigiu as casas decimais e para surpresa o resultado foi completamente diferente, isso o impressionou tanto que refez os cálculos várias vezes alterando discretamente as casas decimais e os resultados se apresentavam completamente divergentes, ainda que com discretas alterações.

Esse fato o levou a elaborar uma teoria de mestrado, quando a apresentou em 1963 as pessoas cagaram, não entendiam o que ele queria transmitir. Foi então que percebeu que se alterasse discretamente sua teoria poderia obter um resultado completamente diferente, assim como acontecera no laboratório.

Somente 9 anos depois Lorenz teve uma nova oportunidade de apresentar sua teoria, alterou apenas o título, pendurou em letras garrafais na entrada da sala onde acontecia o 139° congresso para o progresso da ciência. 

Dessa vez quando terminou de falar foi ovacionado, ganhou prêmios importantes e fama mundial, também recebeu o título de Pai da teoria do caos, sabe qual foi o título da tese do Lorenz?

"O bater das asas de uma borboleta no Brasil, provoca um tornado no Texas?"

Em resumo Lorenz apontava que atos simples e inofensivos desencadeiam uma série de fatores aleatórios que ao final encontram um padrão, causando efeitos catastróficos. Lorenz entregou ao mundo um jargão mundialmente conhecido como "O efeito borboleta", tive oportunidade de assistir 2 filmes que retratam bem isso: "O efeito borboleta", e "A fantástica história de Benjamin Button".

O que tudo isso tem haver com a política de crédito e suicídio?

Nos anos 90 um jovem analista de crédito foi chamado por seu superior, "O presidente do Banco está te chamando, ele deseja falar com você.

O jovem ficou assustado, por que o Presidente do Banco desejaria falar com um simples analista de crédito? Ao chegar na frente do presidente o mesmo se dirigiu ao gestor e perguntou:

- Você analisou o caso? 
- Sim, respondeu o gestor. Ele cumpriu todo o procedimento do banco não houve falha na análise.

O analista sem entender pergunta: O que houve?

Nesse momento o presidente respira profundamente, desdobra uma folha e diz: Recebemos a carta da filha de um cliente.

"Estou profundamente desapontada com a política do banco, meu pai foi cliente dessa instituição e por anos teve excelente relacionamento, empregou pessoas e ajudou muita gente. Por consequências das políticas do governo os negócios não estavam bem e meu pai tentou de várias formas manter empregada as pessoas que sempre se dedicaram ao seu propósito.

Quando meu pai mais precisou de crédito para dar fôlego aos tempos difíceis, todos os anos de relacionamento foram desconsiderados e teve seus pedidos negados por motivo da política de crédito, sua política ao menos ponderou todos os anos em que meu pais esteve com vocês, foi julgado pelo último ano de relacionamento?

Agora não faz mais diferença, as diversas dificuldades levaram meu pai ao ato mais atroz, deu cabo da própria vida... "


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A carta continuava e ao término o jovem analista estava destruído, ao cumprir seu dever a borboleta bateu asas desencadeou uma série de fatores aleatórios que ao final... 

O presidente do banco disse alguma coisa, mas o analista só ouvia sua própria mente: será que se tivesse concedido crédito o desfecho teria sido diferente? Será que sua decisão contribuiu para o caos? 

Ele nunca saberá! 

Eu poderia colocar o link de diversas fontes, onde em tempos financeiros difíceis pessoas sãs sucumbiram a situações depressivas com quadros agravados que levaram ao... achei melhor não!

Confisco da poupança, queda da BOERJ, bandas cambiais, contratos em moeda estrangeira, diversos fatos financeiros que levaram pessoas ao estado mais perigoso do caos em suas próprias mentes. 

Na internet com tanta fake news não desejo que acredite nesse relato, peço apenas que reflita como desenha suas políticas de crédito e como suas decisões estão ligadas com consequências inimagináveis para o bem e para o mal.





sábado, 31 de agosto de 2019

3 itens antes de emprestar dinheiro a amigos.


Pode não acreditar analistas de crédito tem os mesmos problemas e dilemas que todo mundo, temos amigos e nem todos os nossos amigos tem dinheiro, em determinadas situações você dependerá dos seus amigos financeiramente e vice versa, compartilho uma situação relativo a crédito para um amigo.

Certa vez um grande amigo me ligou e disse que precisava de uma grana emprestada, não me lembro ao certo o valor, era algo como R$ 3000,00 já trabalhava no crédito há alguns anos, segui minha lista de 3 itens para se emprestar dinheiro a um amigo, e prontamente emprestei, o mesmo me disse que devolveria a importância em 60 dias.

Bem o que aconteceu depois vai render um outro post, que compartilharei no futuro. Vale lembrar que boa parte das pessoas que estão endividadas é por terem realizado empréstimos em seu nome para amigos e parentes, por isso compartilho abaixo a minha lista de itens para emprestar dinheiro a um amigo.



  1. Não se cobra juros de amigo, ajudamos amigos sem esperar nada em troca.
  2. Só empreste aquilo que realmente não necessitar, se a devolução for dependência para honrar algum compromisso, não empreste!.
  3. Nunca espere receber de volta, se você não puder suportar nunca mais receber seu dinheiro, fuja do empréstimos para seu amigo.

Se VOCÊ é capaz de seguir sem exceções esses 3 itens estará pronto e blindado a emprestar dinheiro para um amigo, sem se estressar, ou perder algo mais precioso a AMIZADE.

E para complementar observe:

  • Nunca assine um cheque em branco para ninguém (mesmo parentes).
  • Não empreste seu nome para financiamentos (namorado, amigos, parentes) é uma forma de preservar amizade e família.
  • Não empreste seu cartão para ninguém, melhor emprestar dinheiro (seguindo as regras acima). Afinal você é um analista de crédito então haja como um.
  • Só seja fiador de alguém se puder suportar os 3 itens acima. Falar não é um jeito duro de manter a amizade e se a pessoa para de falar com você por conta disso, me agradeça.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Nome sujo na praça, Cadastro Negativo... O quê é isso?

Quando criança ouvia esse negócio de ter o nome sujo na praça, nunca soube o que significava, apenas sabia que não queria ter o nome sujo na praça, na praia em lugar algum, só na vida profissional descobri que ter o nome sujo significava estar no cadastro negativo.

Não ajudou muito pois eu também não tinha a menor ideia do que era um cadastro negativo. O mais interessante é que eu trabalhei com muita gente que já tinha bons anos de crédito, pasme você, muitos acham que sabem e outro não sabem na totalidade o que fazem um bureau de crédito.

Então mãos a obra de compartilhar o que demorei anos para descobrir e sinceramente não ouso a dizer que sei tudo. Antes de falar no que é ter o nome sujo vamos entender o papel de um Bureau de Crédito.



Muita gente conhece os Birôs ou Bureaus de Crédito, digo isso pois já vi escrito nas duas formas, a palavra é do idioma francês que significa lugar onde se realiza trabalho intelectual, mesa ou gabinete. Técnicamente e na atualidade um bureau de crédito concentra informações relacionadas ao comportamento de consumo, que pode ser através de crédito (com pagamento a prazo) ou a atividade de relacionamento de consumo.

Os mais populares bureaus do Brasil são SPC e Serasa foram criados em décadas separadas para funções distintas, o primeiro tinha o objetivo de concentrar as informações do Comércio com isso o comercio poderia se proteger que clientes elevassem possíveis prejuízos no comercio. O segundo foi criado por intermédio da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) com objetivo de padronizar os cadastro entre os bancos criando agilidades, posteriormente adotou comportamento de proteção ao crédito semelhante ao SPC.

Com isso um cliente que realiza compras a prazo, ou contraia crédito através de qualquer produto bancário e por algum motivo não cumpra o pagamento com pontualidade pode ser cadastrado em um desses Bureaus, com o registro que está negativo com algum componente que pode ser comercial ou bancário.

Um individuo que consta nesse cadastro negativo dos bureaus popularmente é conhecido como: "nome sujo na praça", esse individuo pode ser pessoa física ou empresa, por muitos tempo esse foi o principal papel desempenhado pelos Bureaus, e sua fama de apenas lidar com pessoas com "nome sujo" os estigmatiza até os dias de hoje. Há quem acredite que são empresas públicas de tanto que se ouve falar em SPC/Serasa, majoritariamente conhecidos como cadastro negativo isso até virou uma samba (SPC - Zeca Pagodinho).

Atualmente não sei dizer quantos Bureaus estão ativos, eu conheço pelo menos 6, e deve haver mais que não são do meu conhecimento, com o passar dos anos engana-se quem acredita que são apenas cadastros negativos, com o passar do tempo concentraram tanta informação relativa a cadastro e comportamento de consumo que desenvolveram uma porção de estudos e serviços que são disponibilizados para pessoas físicas e jurídicas.

O que significa ter o nome sujo cadastrado negativamente?

O comercio ou instituição financeira consulta essas informações caso o cliente que deseja comprar a prazo esteja nessa lista tem seu pedido de compra a prazo ou crédito financeiro negado, impedindo compra a prazo, financiamento, solicitação de produtos de crédito como cartão, ou um crédito pessoal.

Algumas pessoas não se importam com isso e "sujam" seu nome sem problema, para outras pessoas o nome é uma questão de honra e fazem de tudo para mante-lo "limpo", penalmente no Brasil a única dívida que de fato lhe leva para punição carcerária são dívidas de pensão alimentícia.

Algumas dívidas podem lhe trazer punições através de acionamento jurídico, como dívidas de condomínio, ou outras dívidas que cheguem ao ponto de serem recorridas em tribunal como é o caso a Alienação Fiduciária, há outras em que por determinação da justiça devem ser honradas a ponto do juiz levar a leilão bens pessoais, ou bloqueio financeiro com objetivo de reparar a parte credora, é claro que isso é tema para outro post.

Há outros pontos que o mercado pode adotar como não contratar pessoas ou serviços de pessoas e empresas que estejam no cadastro negativo, se isso é legal ou não deixo para os entendidos, apenas compartilho o que ocorre no mercado.


Com avanço tecnológico como ficam os bureaus?

Algumas vezes gosto de brincar de superprevisor, para que uma empresa consulte o cadastro negativo existe um custo e não é barato, cada vez que uma empresa necessita vender a prazo ou conceder crédito há um custo da operação e essa consulta encarece o processo, por isso empresas sempre negociam com seus bureaus a melhor tarifa pois essa conta pesa no custo da decisão.

Com a chegada de um modelo de negócio como o UBER, vimos a "uberização" de muitos serviços e processos, algo que pode também ocorrer com os Bureaus, é um negócio com mais de meio século que pode ser alterado por um grupo de jovens em qualquer startup, vale repensar o modelo para não se tranformar em uma Kodak.

Arrisco a dizer que ha espaço de invertermos, invés dos analistas consultarem os score de crédito do cliente ou seus registros no cadastro negativo, podemos solicitar ao cliente que nos traga, reduzindo o custo da operação, a pergunta que ficará é: quem é o cliente que mente num grupo de clientes que dizem a verdade? Pauta para um outro post.

Abraços. 



 

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Black List no Crédito


Não sei dizer se o nome é politicamente correto nos dias atuais, mas é assim que nos referimos a base de clientes indesejados.

Há algumas razões para não se desejar um proponente como cliente.




Restrição Interna de Crédito.


Clientes que apresentaram inadimplência até o ponto de serem classificados como prejuízo, também conhecido como default (jargão comum no crédito para dizer que um indivíduo passou por todas as faixas de atraso até ser considerado perda).

Default=> Cada empresa instaura um conceito, por isso falarei de períodos de exemplo, é considerado normal alguns clientes pagarem suas dívidas em atraso, geralmente atraso até 5 dias (considerado de baixo risco) esse curto atraso pode ser causado por esquecimento ou rápido descontrole, atrasos acima desse período acendem um sinal de alerta e na maioria dos casos se suporta até 30 dias de atraso, dependendo do conceito são considerados default atrasos superiores a 30, 60, 90, 120, 180 ou 360 dias depende do apetite de risco de cada negócio. Contabilmente consideramos perdas atrasos superiores a 360 dias.

Se for uma empresa conservadora um cliente que entra em default pode ter seu relacionamento cortado a ponto de ser incluso na Black List para que NUNCA mais (naquela empresa) tenha o direito a uma nova linha de crédito, mesmo que tenha quitado sua dívida.

Por esse motivo alguns clientes mesmo sem restrição de crédito nos bureaus de proteção ao crédito, podem ter sua solicitação recusada ainda que tenha um excelente score de crédito.

Clientes que constamente entram em inadimplência e apresentam atritos com as áreas internas também podem ser inclusos na lista indesejada.

Risco de Compliance (conformidade).

A área de crédito também pode restringir clientes cujo comportamento esteja fora de padrões éticos no uso indevido do crédito, exemplo: usar o crédito para fomentar trabalho escravo, negativo impacto sócio ambiental ou que coloque em risco a imagem como conceder crédito à figuras conhecidas por envolvimentos ilícitos.

Reportar dados ao COAF não necessariamente significa incluir um indivíduo na lista de indesejados.

Risco de Fraude

Clientes que cometeram auto fraude, ou dados de fraudadores conhecidos podem figurar na Black List.

Risco Jurídico

Clientes apontados pela área jurídica como risco as instituições podem também figurar entre os indesejados. Inclusive ex funcionários que tenham acionado judicialmente a instituição por qualquer razão (não coloco em discussão se isso é correto ou legal e sim compartilho o que ocorre nos bastidores do crédito).

Algumas instituições barram crédito também a ex presidiários (não importa o score de crédito).

A função da "Black List" do Crédito é evitar que casos com alta probabilidade, ainda que empírica, coloquem a instituição em risco inaceitável de crédito. Algumas áreas como prevenção à fraudes / jurídica podem utilizar o mesmo mecanismo para mitigar risco.

Com o passar do tempo a lista vem ganhando outros nomes, como lista negativa, lista de restritivos internos etc... geralmente essa lista é um dos parâmetros de aceitação de um cliente ou concessão de crédito para o mesmo.

É recomendável que cada registro colocado em uma Black List tenha uma justificativa para evitar seu uso indiscriminado e sem controle, há listas que são dinâmicas onde cada registro figura um tempo de validade para que haja manutenção constante.

Construir uma lista de restritivos internos auxiliam a evitar que situações indesejadas se repitam, ou consultam listas restritivas compartilhadas para melhor controle a exposição de risco, é de praxe não citar o motivo da negação ao proponente evitando atritos maiores.





segunda-feira, 5 de agosto de 2019

E se NÃO usássemos bens como garantia na concessão de crédito?



Já fiz previsões utópicas para o mercado de crédito no passado, hoje são realidade, de tempos há uma nova visão de futuro que muitas vezes guardamos pra si e se transformam em realidade, há um livro que fala sobre isso: "Superprevisões: A arte e a ciência de antecipar o futuro" antes de falar de previsões quero colocá-lo na mesma página sobre 2 tipos de produtos de crédito. 

Crédito SEM garantia 

É o dinheiro que você pega emprestado e não oferta nenhuma garantia real que irá devolver exemplo: Cartão de Crédito, Cheque Especial, Empréstimo pessoal, são créditos que não há uma garantia de pagamento por isso a inadimplência desses produtos é alta e seus juros são obscenos.

Crédito COM garantia

Nesse tipo de produto há uma garantia que permite ao analista de crédito entender que há maior possibilidade de pagamento ou uso da garantia para cobrir eventuais inadimplências. 

Exemplo: Consignado, Crédito com Garantia Imobiliária ou automobilístico, garantia de máquinas, terrenos, recebíveis futuros, ou aplicações. Em resumo você demonstra ou entrega uma garantia de valor que sustenta a quitação em caso de inadimplência.

Veja que todas as garantias são bens tangíveis, como analista crédito entendo que além de bens há serviços que podem ser usados como garantia de quitação de débitos, se é pra pensar fora da caixa mãos a obra.

Você lembra aquela velha forma de quando não tem dinheiro pra pagar o consumo do restaurante se oferecer pra lavar pratos? Pois bem, e se a concessão de crédito pudesse se inspirar no mesmo onde a garantia seria contraprestação de serviços para honrar eventuais inadimplências?.






O cliente que ficar inadimplente pode prestar serviços para honrar seus compromissos em contra partida. Atualmente as empresas de concessão tem a necessidade de serviços e pagam por eles como: limpeza, manutenção, serviços gerais, entrega, atendimento, pesquisa e muitas outras frentes que custam a elas grande valor monetário, não só a empresa que concede crédito mas seus demais clientes.

Calma vamos digerir esse processo melhor, para viabilizar tal cenário seria necessário um passo antes, a empresa deverá apostar em uma plataforma que una profissionais em várias áreas de conhecimento, uma plataforma que permita aos clientes de quem concede crédito a prestarem serviços entre si (sapateiro, pedreiro, eletricista, confeiteiro etc...).

Algo que auxilia na geração de valores para que a própria fonte de empréstimo receba seu montante de volta, o processo consiste em ter uma garantia baseado na habilidade do inadimplente prestar serviços de qualidade a ponto de ser contratado na plataforma por outros prestadores, todo processo de pagamentos e recebimentos será gerenciado pela instituição que concedeu o crédito, assim quando contratado o mesmo deverá prestar serviços ao contratante e do valor a receber poderá ser abatida parte da dívida.

Exemplo: Prestador de serviços A (costureira), está cadastrada na plataforma e presta serviços através dela. Avaliado o comportamento de prestação de serviços a instituição pode conceder crédito ao cliente A pois entende que o mesmo poderá pagar devido ao ritmo dos serviços que presta.

Caso o cliente A venha a inadimplir o empréstimo, na próxima prestação de serviço de serviço poderá ter sua dívida abatida, pois o cliente A poderá prestar serviços para o cliente B (metalúrgico) e quando o cliente B pagar através da plataforma a instituição financeira poderá recolher parte desse pagamento para reduzir a inadimplência do cliente A.

Esse tipo de garantia permite a clientes encontrarem crédito a taxas mais competitivas pois há como o analista avaliar sua capacidade de gerar receita através de sua prestação de serviços.

Vale lembrar que essa é uma das muitas formas de usar serviços como garantia, iniciativas que permitem a ampliar a forma como avaliamos a concessão permitindo atendimento a clientes desassistidos de crédito.












sábado, 27 de julho de 2019

4 Itens que melhoram seu Score, mas ninguém conta


Saber como melhorar seu score de crédito é como saber emagrecer, existe centenas de fontes que lhe dizem como fazer (beba água, coma frutas, durma bem blá, blá, blá) tudo o que precisa fazer pra emagrecer você sabe, logo minha pergunta é: você emagrece?

Para melhorar seu score de crédito o raciocínio é o mesmo, centenas de fontes dizendo, pague suas contas em dia, seja um bom pagador blá, blá, blá essas fontes chegam até a tratar o leitor como estúpido, afinal você sabe de tudo isso, mas eae? seguindo essa cartilha seu score é bom?

O que mais me intriga é que a maioria dos "especialistas" em como melhorar seu score sequer sabem o que isso significa, jamais calcularam um, ou concederam um crédito na vida! (aliás eu tenho ojeriza a quem se diz especialista).


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Melhorar seu Score de Crédito é como Emagrecer


Apenas para colocar você na mesma página, o Score de crédito é uma medida que geralmente pontua de 0 a 1000, onde quanto mais próximo de 0 há uma probabilidade maior de você não honrar seus compromissos financeiros pelos próximos X meses, exato X, pois cada modelo estatístico considera variáveis e tempo diferentes para calcular a probabilidade de inadimplência.

Há modelos que tentam prever a inadimplência nos próximos 4 meses, outros em 6 e alguns (como os bureaus de credito) em até 12 meses. Cada faixa ou range de score tem uma probabilidade de que a inadimplência ocorra, por exemplo.

0 a 100 há uma probabilidade de 94% de quem está nessa faixa não pagar suas contas em X meses.
900 a 1000 a probabilidade pode ser de 3% de não pagamento.

Uma empresa que concede crédito pode desenvolver seu próprio modelo de score ou comprar um modelo de score pronto e usá-lo como componente de sua tomada de decisão, baseado em comportamentos passados esses modelos apontam uma probabilidade futura dos mesmos comportamentos se repetirem.

O mercado possui uma porção de modelos de score, crédito, cobrança, comportamento, cancelamento e muitos mais. Através de comportamentos passados em um grupo se pode prever muito mais que a inadimplência, podemos prever acidentes, crimes e até se um relacionamento pode dar certo.

Abaixo descrevo alguns pontos que melhoram seu score de crédito, porém, ninguém conta pois é politicamente incorreto, e se você tem algo a protestar reclame com as ciências estatísticas.

1) CEP

Em meu último post falei sobre CEPofobia, nos modelos de crédito é o que chamamos de variáveis discriminantes, pois têm a capacidade de separar um público a ponto de classifica-lo.

Regiões socio-economicamente fortalecidas tendem a elevar seu score quando comparado a regiões com fragilidade econômica, em resumo morar na periferia ou regiões pobres influenciam em seu score de crédito, e acredite, também penaliza seus seguros, todos eles (vida, auto, acidentes etc).

As vezes essa variável é tão forte que supera sua variável de contas pagas em dia, logo para alguns modelos é melhor você morar bem localizado do que ser um adimplente ortodoxo.

2) Profissão

É legal ser um profissional descolado ter profissões livres tipo ator, comediante, cantor, mágico ou salvar o mundo certo?

Bem os modelos estatísticos de crédito discordam, se você não for Antonio Fagundes, Roberto Carlos, David Copperfield ou o Batman, mano isso vai pontuar negativamente o seu score de crédito, isso ocorre por que algumas profissões tem renda muito volátil, e a capacidade de pagamento fica a mercê de momentos altos para o profissional, algo que compromete sua pontualidade de pagamento.

Profissões que pontuam melhores ficam com profissionais liberais da saúde, funcionários públicos, ou profissionais de carreira cuja renda seja estável e de alta liquidez de empregabilidade, tipo administradores, contadores, galera do TI etc.

E os advogados? bem, minha experiência mostra que todos os profissionais do direito devem ser tratados a parte (advogados, desembargadores, juízes e promotores) em outra oportunidade compartilharei os motivos.

3) Idade

Dependendo do produto de crédito essa variável pode ter um grande peso em seu score. 

Pessoas maduras tendem a ter um comportamento de inadimplência sob controle, o mesmo comportamento observamos nos modelos de seguradoras. 

4) Renda

Sua renda demonstra a capacidade que possui de devolver o crédito tomado, por isso rendas mais altas tendem a superar as variáveis de profissão, pois há pedreiros que ganham melhor que engenheiros, aliás já vi mais engenheiros com CPF "sujo" nos bureaus do que pedreiros. 

Hoje em dia há modelos de score que tentam lhe classificar através do celular que possui, seu comportamento nas redes sociais, sua movimentação bancária e pasme tem alguns que até usam signos.

Enfim tudo isso vai além do velho e chato discurso do pague suas contas em dia.

Quer saber saber como estar bem em qualquer Score? Mora bem, ganhe bem e esteja em uma faixa de idade superior a 25 anos.




quinta-feira, 18 de julho de 2019

CEPofobia conhece essa síndrome no crédito?


O Código de Endereçamento Postal, foi criado pelos Correios para facilitar o encaminhamento e a entrega das correspondências aos destinatários, é uma informação indispensável pois identifica todos os detalhes do endereço.
No Brasil o número do CEP é formado por oito algarismos, que identificam uma posição geográfica, relacionando uma região, bairro específico, ou até mesmo o prédio. Para facilitar a criação dos CEP's a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos dividiu o Brasil em 10 regiões postais.
O CEP é uma variável de alta discriminação em muitos modelos de concessão de crédito, seu peso ajuda a decidir se um solicitante pode ou não ter seu crédito aprovado. A discriminação é tão grande que podemos em alguns casos chamar de CEPofobia.
A palavra não existe, livremente pode ser traduzida como medo ou aversão a alguns CEP's. E saiba você que não é só a área de crédito que tem CEPofobia. Sentimos isso quando uma pessoa que usa um bairro de referencia para dizer onde mora, tipo diz que mora no bairro A quando na verdade mora em B, sentimos isso quando olhamos de soslaio quando alguém diz onde reside, ou trabalha, cada vez que você direta ou indiretamente despreza ou subjuga um CEP está praticando CEPofobia. 
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Cresci em um bairro da periferia cujo CEP começava com 08XXX-XXX , leitor saiba que a periferia da ZL paulistana nos anos 80 era tipo filme Cidade de a Deus, o caminhão do gás ou Casas Bahia se recusavam a entregar nesse CEP devido a "problemas logísticos", a polícia também nos dava tratamento diferenciado e qualquer acesso a cultura inexistia, como eu era criança só fui entender o real problema de morar na periferia quando comecei a estudar do outro lado da cidade em um bairro nobre.
No primeiro dia de aula cada aluno se apresentava e dizia onde morava, todos moravam na zona oeste e apenas eu da longínqua ZL, ouvi um estudante ao lado dizendo a outro, não mexe com ele pois é da ZL, juro que não entendi o motivo, só viria a entender muito tempo depois. O fato da zona leste paulistana concentrar o maior índice de violência na cidade naquela época, criava-se muita CEPofobia.
No mercado de trabalho fui dispensado de processo seletivo, pois a empresa teria um custo maior comigo com o benefício de transporte, contratar alguém que morava longe estava fora do escopo da empresa. 
Certa vez preenchi a proposta de cartão de crédito de uma famosa empresa de cartões (na época, pois faliu) negaram minha proposta por "score", quem diria, no futuro eu negaria muitos clientes devido ao seu CEP. 


Por que a área de crédito tem CEPofobia?


Nossos indicadores de quanto uma carteira é saudável muitas vezes se pautam por distribuição geográfica, e a inadimplência impera em regiões com maior fragilidade sócio econômica, aqui há 2 fatores considerados, o primeiro é a capacidade de pagamento x situação econômica a segunda é o que chamamos de caráter de pagamento.
Para entender a primeira situação pessoas que moram em regiões de CEP considerados frágeis pelo ponto de vista sócio econômico, tendem a ter um índice pior de inadimplência quando as políticas públicas falham, ficam suscetíveis a desemprego ou redução de renda que afeta sua capacidade de pagamento e por isso os "scores" quais usamos para tomada de decisão orientam a redução de risco para esse público.
Você pode dizer: "há mas eu ganho bem e mantenho minhas contas em ordem logo terei um bom score", porém se a massa dos seus vizinhos tiverem um comportamento inadequado, os modelos de crédito condenam toda a área e não conseguimos separar os bons dos maus.
Para segunda situação infelizmente o mesmo CEP frágil tem alta correlação com pessoas que não tem o chamado caráter de pagamento, indivíduos que optam por não pagar suas dívidas, contribuindo assim por penalizar um determinado conjunto de CEP's.


É certo condenar uma pessoa devido ao seu CEP?


Moralmente é errado, estatisticamente os números mostram que CEP's em algumas zonas é melhor deixar de ofertar um produto do que mante-lo, pois a inadimplência ou fraude é tão grande que só gera prejuízo.
Há CEPofobia nas seguradoras, agentes de entrega e até mesmo de autarquias do governo. (vide link abaixo).
Por isso me revolta esse discurso que pra se ter um bom "score" basta pagar suas contas em dia. Caso seu CEP tenha muitos indivíduos que não se comportam como você, há um enorme risco de você ser penalizado ou excluído. Se você está em um CEP "nobre" isso se correlaciona com sua renda e capacidade de pagamento melhorando seu score.
Anos depois tive a oportunidade de mudar de endereço, agora meu novo CEP era 04XXX-XXX no coração do Bairro mais elevado da sociedade paulistana, nunca mais tive o credito negado, o tratamento da polícia era cordial, as mulheres me viam como um bom partido, e aquela empresa que me negou o cartão de crédito me enviou uma proposta pré provada, minha mágoa era tamanha que agora eu os recusei, soube que alguns anos depois faliram.
Confesso já restringi ordas inteiras de CEP's para não conceder crédito, como uma forma de mitigar risco, sei que magoei muitos clientes e continuarei a fazê-lo afinal sofro de CEPofobia.


Referência: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1946271-violencia-restringe-entrega-de-produto-pelos-correios-em-29-da-cidade-de-sp.shtml